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Montagem de carros na Volkswagen

Indústria 4.0: Volkswagen avança com protótipo transparente

Do original de Malte Schmidt.

Você provavelmente já viu ou sentiu na pele os avanços da indústria: mais máquinas, menos pessoas, processos mais eficientes e até robôs com inteligência artificial no chão das fábricas.

Mas e sobre indústria 4.0, o que você sabe?

A indústria 4.0 leva a inteligência das fábricas a um outro nível. Flexibilidade, ergonomia (sim, ainda precisamos de humanos), flexibilidade, eficiência de recursos e redes eletrônicas em todos os processos. Sem exceção.

Esqueça aquela peça que quebrou e desorganizou toda a linha de produção. As máquinas, processos e pessoas serão tão conectados que esse risco não existirá mais. E essas inovações chegaram ao setor automobilístico, com inovações da Volkswagen.

Um pouco de contexto

trânsito nas cidades

Todas essas inovações dependem de uma tecnologia: a Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT), em inglês. É basicamente a ideia de que, em breve, todos os objetos irão se comunicar de forma independente entre si e com o ambiente.

Apesar do automobilismo ser conhecido pelo nível complexo de redes eletrônicas entre fornecedores e fabricantes, a adoção do IoT é lenta, e ficou marcada pelo pioneirismo de poucos multimilionários, como o sul-africano Elon Musk, como nos carros elétricos – e alguns modelos que dispensam motoristas da Tesla.

Para as grandes montadoras, com normas e estruturas de comunicação muito bem estabelecidas, isso é, no mínimo, desafiador. É preciso muito tempo e esforço para flexibilizar esses processos e transformar essas ideias dignas de filme de ficção científica em realidade.

Como funciona?

Programação e IP

Para simplificar o conceito, a CH traz um exemplo simples. O seu computador, conectado agora na Internet, é identificado através de um número de IP, uma etiqueta eletrônica que faz o seu computador ser reconhecido para acessar à web.

Na indústria automobilística, podemos criar um IP para peças e componentes padronizados, diferenciando cada um na linha de produção, gerando quase um manual de instruções com peças identificadas para montar um carro.
Assim, cada carro em fase de construção pode ter uma documentação inteligente, e os testes vão conseguir identificar exatamente o que pode ser otimizado.

Quer um exemplo? Ao montar um novo carro, podemos testar aceleradores com identificações diferentes. Depois de realizar os testes, não só os mecânicos como as máquinas saberão qual performou melhor, e podem tomar decisões autônomas, da fábrica ao pátio.

O que a Volkswagen fez?

Fábrica da Wolksvagen

Esse trabalho de identificação e padronização de peças é uma realidade na Alemanha. A German Association of the Automotive Industry (VDA) tem padrões para peças de protótipo – VDA 5509 – e em série – VDA 5510, úteis para todas as montadoras.
A Volkswagen ensaia seus primeiros passos na Internet das Coisas, com etiquetas únicas para cada peça do fornecedor:

“As peças só podem ser identificadas com eficácia e eficiência nos processos do fabricante de automóvel se as peças de protótipo tiverem uma etiqueta eletrônica padronizada pelo fornecedor”.

– Hermann Dreyer, Diretor de Desenvolvimento Global de Veículos da Volkswagen.

Dessa forma, todos os veículos de teste que você vai ver pelas ruas nos próximos 5 ou 10 anos, serão extremamente otimizados e documentados. Diferente do que acontece hoje, já que os testes são tão dinâmicos, que as montadoras perdem os parâmetros exatos.

Com a identificação das peças, os novos veículos e peças prototipadas podem ” conversar” com os engenheiros de desenvolvimento, aprimorando o processo de análise.

Com a Internet das Coisas, tudo será documentado. E se a adoção for global, você também poderá esquecer as dores de cabeça no mecânico: com a documentação das peças, não só saberemos qual parte exata tem defeitos, como poderemos identificá-la e fazer a requisição junto ao fabricante.

Isso sem mencionar que se as peças podem ser identificadas e conectadas, seu carro ficará mais seguro. Não seria ótimo se antes de ir para a estrada, ao girar a chave, o motorista fosse notificado que há algum problema nos freios?

Podemos deixar essa aplicação cotidiana mais para frente, mas a identificação das peças acontece hoje.

Como as peças são identificadas?

Caixas identificadas

Diferente do IP do seu computador, as peças de carros precisam ter uma identificação robusta. Afinal, passam por um processo pesado de montagem. Em um futuro próximo, todos os componentes de um carro serão identificados por processos de radiofrequência (RFID), que podem ler códigos como o Data Matrix , parecidos com os QR Codes.

“O fabricante do veículo pode identificar peças de protótipo codificadas em RFID automaticamente dentro de alguns segundos, mesmo quando são instaladas em um veículo.”

– Hanno Wolff, chefe do Departamento de Logística e Desenvolvimento da Volkswagen.

Processo transparente

Carro Transparente

A ideia do protótipo transparente acontece na comunicação direta e transferência de dados eletrônicos entre os fornecedores e a Volkswagen. A combinação de identificação por rádiofrequência e a troca de dados permite que as peças sejam gravadas automaticamente, direto no departamento de mercadorias recebidas.

Chamamos esse processo de “transparente” porque não é exclusivo da Volkswagen. Para que a identificação funcione, precisa ser padronizada em todo o setor.

Atualmente, há mais de 150 fornecedores que adotaram o padrão em todas as suas marcas, incluindo Audi e Porsche. Quase diariamente, chegam mais marcas. Será inaugurada uma nova fase do mercado automobilístico, onde a concorrência terá que se diferenciar e provar os resultados de cada peça.

Esse protótipo transparente representa uma nova fase da revolução industrial e da Indústria 4.0 aplicada no automobilismo. Aguarde por mais inovações na sua garagem.

Malte Schmidt volkswagen

 

 

Malte Schmidt é gerente do projeto Protótipo Transparente da Wolkswagen.

 

 

Com informações de RFID Journal.

Imagens via Getty Images, StockSnap.io, TeslaRati, DamnGeeky.

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